A INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS NA CONSTRUÇÃO DAS LIDERANÇAS POLÍTICAS ANGOLANAS
DOI:
https://doi.org/10.71409/humanitas.v2i1.716Palavras-chave:
Pobreza; Liderança política; Angola.Resumo
O artigo analisa a influência das condições socioeconômicas na construção das lideranças políticas em Angola, evidenciando como a pobreza tem sido não apenas uma realidade social, mas também um recurso político. Partindo de uma abordagem qualitativa, apoiada em dados quantitativos de instituições nacionais e internacionais, o estudo demonstra que, desde a luta de libertação até a fase contemporânea, a pobreza desempenhou papéis distintos, mas sempre centrais na configuração do poder. Durante o período colonial (1960–1975), a miséria generalizada funcionou como motor de mobilização, legitimando os movimentos de libertação. Na guerra civil (1975–2002), a carência transformou-se em instrumento de manipulação, com o acesso a bens básicos condicionado à lealdade política e militar. Já no período pós-2002, a exploração da renda petrolífera permitiu crescimento econômico significativo, mas não reduziu substancialmente a pobreza, que permanece como elemento estrutural. Programas sociais como o Kwenda foram implementados, embora criticados pela sua instrumentalização política. O estudo conclui que a pobreza, ao invés de ser apenas um entrave ao desenvolvimento, consolidou-se como parte integrante da lógica de poder em Angola, reforçando práticas clientelistas e dificultando a democratização efetiva. Superar esse ciclo exige diversificação econômica, fortalecimento institucional e políticas sociais inclusivas.
Palavras-chave: Pobreza; Liderança política; Angola.
