Coberturas vacinais em crianças menores de 5 anos em Minas Gerais, no período 2018-2022
Palavras-chave:
Cobertura vacinal, Assistência Integral à Saúde da Criança, Atenção Primária à SaúdeResumo
Introdução:
As vacinas constituem um método de prevenção às doenças, sendo capaz de erradicar ou reduzir os casos. Através do Programa Nacional de Imunização (PNI), no Brasil, é disponibilizado a vacinação gratuita da população, sendo capaz de prevenir doenças graves em crianças de determinada faixa etária.
Mesmo com vários avanços e impactos na redução dos quadros de morbimortalidade da população produzidos pelas ações do PNI, nos últimos anos nota-se um movimento anti-vacinação seguido de redução nos índices de coberturas vacinais. A descrença na ciência e a disseminação de fake news são fatores que fragilizam a confiança na vacinação (Lachtim, 2023).
Diante desse contexto surgem nosso interesse em realizar essa pesquisa, que teve por objetivo analisar as coberturas vacinais em menores de 5 anos no Estado de Minas Gerais, no período de 2018 a 2022.
Materiais e métodos:
Foi realizado estudo descritivo ecológico de abrangência estadual. Constituíram-se sujeitos do estudo crianças menores de cinco anos, residentes em Minas Gerais, que passaram por atendimento no sistema de saúde e tiveram dados sobre vacinação, registrados e publicados pelo Sistema de Informação do PNI (SI-PNI).
Os dados sobre doses de vacinas administradas foram extraídos do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), referentes ao período de 2018-2022. As taxas de coberturas vacinais foram calculadas, considerando as orientações recomendadas por Brasil (2024) e Minas Gerais (2018).
Essas foram organizadas em gráficos e receberam uma análise descritiva quantitativa, baseada em parâmetros propostos pelo Ministério da Saúde e outras referências ligadas à saúde.
Resultados e discussões:
Pautando-se no objetivo, ao analisarmos as taxas de coberturas vacinais verificamos que essas evidenciaram uma tendência de queda em diversos imunobiológicos essenciais. Dentre os menores de 1 ano observa-se que a BCG atingiu cobertura preconizada pelo PNI (90%) apenas no primeiro e último ano do período analisado, é a única que cai, mas consegue recuperar-se; a Rotavírus foi somente nos três primeiros anos (90%), a Pneumo 10 apenas no primeiro ano (95%) e as demais, Hepatite B, pentavalente, Poliomielite, Meningo C e Febre Amarela mantiveram abaixo da meta de 95% em todos os anos.
Essa tendência se aproxima dos achados de Silva et al. (2025), que também analisaram a vacinação em crianças menores de um ano em Minas Gerais e relataram que nenhuma das Gerências Regionais de Saúde atingiu as metas estabelecidas em 2020, ano de maior impacto da pandemia de COVID-19.
Entre as crianças de 1 ano de idade, o presente estudo mostrou que a tríplice viral (1ª dose) atingiu a meta apenas em dois dos cinco anos analisados (99,08%, em 2019 e 98,66%, em 2020). Vacinas como varicela (que atingiu 95,31% apenas em 2020), VOP (95,55% apenas em 2019) e DTP (97,67% apenas em 2020) alcançaram cobertura adequada em apenas um ano. Esses achados se aproximam dos resultados obtidos por Silva et al. (2023), que também verificaram baixa adesão aos reforços vacinais após o primeiro ano de vida. Os autores sugerem que isso pode estar associado à redução da frequência de retorno dos pais às unidades básicas após a conclusão do esquema vacinal primário.
Já na faixa etária de 2 a 4 anos, observou-se o pior cenário, sendo que nenhuma das vacinas atingiu as metas mínimas em qualquer ano do período estudado. O segundo reforço da DTP, por exemplo, permaneceu abaixo de 60% nos anos de 2021 e 2022. Essa realidade confirma o alerta emitido pela UNICEF (2021), que apontou que crianças com idade superior a 2 anos estavam entre as mais afetadas pelas falhas nas estratégias públicas de imunização durante e após a pandemia.
Considerações finais:
Os achados deste estudo reforçam a necessidade de políticas públicas eficazes para a manutenção de altas coberturas vacinais. É essencial garantir o acesso facilitado às vacinas, combater a desinformação e fortalecer a atuação dos serviços de saúde para evitar o ressurgimento de doenças que já haviam sido controladas no Brasil.
Diante desse cenário, estratégias para aumentar a adesão à vacinação são essenciais. A busca ativa por crianças com vacinas em atraso, realizada por agentes comunitários de saúde, é uma medida fundamental para reverter essa tendência. Ações de educação em saúde, campanhas de conscientização e o fortalecimento da comunicação entre profissionais de saúde e a população também são estratégias importantes para restaurar a confiança na vacinação.
Referencias:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde: vol 1 [recurso eletrônico] – 6. ed. rev. – Brasília: Ministério da Saúde, 2024.
LACHTIM, S. A. F. et al. Estratégias cooperativas para melhorar a cobertura vacinal em crianças no estado de Minas Gerais, Brasil. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, 2023. Disponível em: <https://revistas.unipar.br/index. php/saude/article/view/10560/5128>. Acesso em: 22 nov. 2024.
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Coordenação de Imunização. Guia de Vigilância das Coberturas Vacinais e qualidade de dados. Secretara de Estado de Minas Gerais: Belo Horizonte, 2018.
SILVA, T. P. R. da et al. Cobertura vacinal em crianças menores de um ano no estado de Minas Gerais, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 9, p. 3659–3667, 2022. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/csc/a/HRMwSZF7GT96MMx7pBTJfkD/>. Acesso em: 5 mar. 2025.
SILVA, T. P. R. da et al. Classificação de risco para transmissão de doenças imunopreveníveis em Minas Gerais, Brasil: dois anos desde o início da pandemia de COVID-19. Ciência & Saúde Coletiva, v. 28, n. 3, p. 699–710, 2023.
UNICEF. Pandemia de COVID-19 leva a um grande retrocesso na vacinação infantil. 2021. Disponível em: <https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/pandemia-de-covid-19-leva-a-um-grande-retrocesso-na-vacinacao-infantil>. Acesso em: 5 mar. 2025.





