INFARTO DO MIOCÁRDIO ASSOCIADO À CANNABIS EM PACIENTE JOVEM COM CORONÁRIAS NORMAIS

Autores

  • Igor Reis de Moura Camargo Universidade Federal do Triângulo Mineiro
  • Flora Margarida Barra Bisinotto
  • Julia Peloso Maia
  • Laura Bisinotto Martins
  • Otávio Romanini Lopes
  • Felipe Alves Nazário

DOI:

https://doi.org/10.71409/ah.v7i1.443

Palavras-chave:

cannabis, Doenças cardiovasculares, riscos

Resumo

Introdução: Cannabis é a substância ilícita mais consumida no mundo, com efeitos fisiopatológicos descritos no sistema cardiovascular. No entanto, há informações limitadas sobre a síndrome coronariana aguda (SCA) desencadeada pela sua utilização. Relato de caso: paciente de 24 anos, 70 kg, 175 cm, sexo masculino, sem comorbidades, usuário de Cannabis (7 cigarros/dia), classificado como ASA II, que seria submetido a cirurgia de correção de fratura diafisária de clavícula. Após monitorização com cardioscopia, oximetria de pulso e pressão arterial não invasiva foi iniciada a indução da anestesia geral com fentanil (200 µg) lidocaína (60mg), propofol (130 mg) e rocurônio (40 mg). Paciente foi intubado e na transição da ventilação manual para a controlada mecânica houve mudança do ritmo cardíaco de sinusal para fibrilação ventricular. Com o diagnóstico de Parada cardíaca, pela ausência de pulsos carotídeo, foi iniciada a reanimação. Após dois ciclos houve retorno à circulação e a cirurgia foi cancelada. O paciente foi encaminhado para Unidade de Terapia Intensiva sem necessidade de drogas vasoativas. A extubação ocorreu após 24 horas quando o paciente relatou intensa dor precordial. Os exames complementares realizados mostraram elevação das enzimas cardíacas compatíveis com SCA, com apresentação de curva de enzimas cardíacas: troponina t: 3,1 - 15,3 - 11,4 (vr: 0,12); e de ckmb: 38 – 51 - 71,0. O eletrocardiograma com ritmo sinusal, onda q patológica e bloqueio de ramo direito do feixe de His. O ecocardiograma com disfunção sistólica do ventrículo esquerdo de grau discreto (fração de ejeção de 46%) com hipocinesia apical e segmento médio da parede anterior e inferior). Foi indicado cateterismo cardíaco em outra unidade hospitalar, porém o paciente evadiu antes da transferência. Discussão: Nas últimas décadas a quantidade média da substância delta-9-hidrocanabinol (THC) aumentou muito na cannabis, e em paralelo houve também um aumento nos relatos de eventos cardiovasculares. Tais casos têm sido relatados principalmente em pacientes jovens. Um aumento na estimulação autonômica, alteração na agregação plaquetária, vasoespasmo, além dos efeitos do THC promovendo inflamação endotelial e arteriosclerose, seriam os mecanismos responsáveis pelos ataques cardíacos em usuários. Conclusão: Como o uso da cannabis vem crescendo no mundo, seja para finalidades recreativas quanto medicinais, os médicos precisam expandir seus conhecimentos sobre o tema, conhecer os possíveis eventos adversos que a substância pode causar, para assegurar melhor atendimento em saúde e suporte a esses indivíduos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Downloads

Publicado

2025-02-04

Como Citar

Reis de Moura Camargo, I., Margarida Barra Bisinotto , F. ., Peloso Maia, J. ., Bisinotto Martins, L., Romanini Lopes, O. ., & Alves Nazário, F. (2025). INFARTO DO MIOCÁRDIO ASSOCIADO À CANNABIS EM PACIENTE JOVEM COM CORONÁRIAS NORMAIS. Revista Atenas Higeia, 7(1). https://doi.org/10.71409/ah.v7i1.443